quarta-feira, 18 de março de 2015

Deus não faz acepção de pessoas

18/03/15

“É porventura Deus somente dos Judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente”. (Romanos 3.29) E isso muda tudo. Na verdade essa foi a grande pedra de tropeço dos Judeus quando ouviram a mensagem de Jesus. Como assim TODOS? Como assim honrar um samaritano? Sim, Jesus se revelou como messias a uma mulher.... samaritana! Deus salvaria um africano? Sim, Felipe acompanhou o eunuco na carruagem. E um americano? Não chegou a palavra até nós!

O desafio continuou ainda mais evidente em Atos dos Apóstolos. O ministério dos 12 estava confinado à Jerusalém, porque os judeus queriam privatizar Deus, limitando o seu alcance de perdão e graça. Foi preciso que Saulo, o perseguidor se tornasse Paulo, o apóstolo, para que a compreensão fosse alargada. “Quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão” (Galátas 2.7).

Porque Deus enviou o seu Filho à terra para que “todo aquele que nele crer seja salvo” (João 3.16). O que o Deus de Toda Terra busca é tão somente um coração capaz de crer. Esse é o único requisito. A escandalosa Graça! Um tema tão debatido, tão discutido, e ainda tão incompreendido.

Porém esse continua sendo o principal objetivo de Deus. Salvar pessoas. Ele não está tentando criar um planeta ecologicamente sustentável, não está muito empenhado em nos tornar ricos e famosos, nem mesmo bonitos e saudáveis, apesar de todas essas coisas fazem parte do pacote “ele sabe que precisam de todas elas” (Mateus 6.32), o que Ele de fato continua a fazer é chamar: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

Então que sejamos instrumentos da graça de Deus ao não colocarmos obstáculos àqueles sedentos do amor do Pai, carentes da consolação do Espírito e da Graça de Jesus Cristo, para que o caminho continue aberto a todos os que de coração sincero buscam a vida eterna.

Pois haverá “glória, e honra e paz a qualquer pratica o bem, primeiro ao judeu e também ao grego, porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.10-11). Preste atenção na expressão: 'qualquer que'. Isso inclui um traficante, um assassino, um estuprador, um pedófilo, um mentiroso, um político, uma amante, e qualquer outro adjetivo que você possa imaginar. Na verdade ousaria dizer: principalmente para eles, “eu não vim chamar os justos, mas sim, os pecadores a arrependimento” (Marcos 2.17).

E nós não éramos exatamente isso? Pecadores! Mas fomos salvos pela graça de Deus que rompeu fronteiras geográficas ao cumprir a promessa à Abraão: Você será pai de muitas nações. (Genesis 17.4). Por essa razão hoje escrevo esse texto e você o lê.

O desejo de Deus começou no Éden, atravessou a história, cruzou oceanos e chegou até nós. Que não pare aqui. Leve essa mensagem adiante.






























quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CHEGOU A SUA HORA?


Por Denise Alves

26/02/2015

E disse Jesus: “Agora minha alma está perturbada, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não! Eu vim precisamente com esse propósito e para esta hora.” (João 12.27).

Gosto da expressão: “E para esta hora”. Isso demonstra que Jesus sabia não apenas com qual finalidade havia vindo à Terra, mas evidencia o discernimento que ele possuía sobre o momento de concretização de sua missão.

Anteriormente sua mãe já o tinha interpelado na festa de casamento em Caná da Galiléia quando o vinho havia acabado. “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” (João 2.4).

Conseguir discernir o tempo que se vive é de suma importância seja você cristão ou não. Mas para nós que acreditamos em um Deus de planos e propósitos, e que diferente do ditado popular, Ele “Nem tarda, nem falha”, mas chega no momento exato, precisamos orar como o salmista: “Ensina-nos ò Deus a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Salmos 90.12).

Vivemos em um ambiente cada vez mais urgente, estupidamente imediatista, fazemos parte de uma geração micro-ondas, tudo pronto em 30 segundos, e entender que “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3.1), é um desafio à inquietação.

Provavelmente esse é um daqueles textos mais direcionados a mim mesma do que a você que me ler, pois ultimamente sinto a urgência do tempo caindo sobre mim. São as cobranças pessoais, sociais, profissionais … vezes gritando que as coisas já deviam ter acontecido e outras que não são para agora.

Em meio a esse turbilhão de vozes, percebo o Espírito Santo me sussurrando que Ele continua no controle. “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará” (Hebreus 10.36-37)

Às vezes é grande a vontade de pedir ao Pai: passe de mim esse cálice! Mas como Jesus, nos apoiamos no Domingo de Páscoa para suportar a sexta-feira da Paixão.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Esse homem és tu.




Por Denise Alves
em 10/02/2015


A utilização de parábolas era um dos métodos de ensino preferidos de Jesus. Ele falou sobre a extensão e incompreensão do perdão do Pai na parábola do Filho Pródigo. Mostra-nos a hipocrisia da religião quando relata a parábola do Bom Samaritano,  e quem não conhece a história da ovelha perdida, importantíssima aos olhos do pastor, ao ponto deste deixar as outras 99 ovelhas em um lugar seguro e sair a procura da desgarrada até encontrá-la.
A contação de histórias é um excelente modo de ensinar pois além de tocar o emocional dos ouvintes, os insere numa observação distanciada do contexto abordado, propiciando um novo ângulo de análise. Foi o que ocorreu com o Rei Davi quando envolvido pela história narrada pelo Profeta Natã sobre um homem avarento que não satisfeito com todo rebanho de ovelhas que possuía, desejou e obteve violentamente a única ovelha de um vizinho pobre.
O conhecimento de tal história levou o Rei a um acesso de fúria, tomando por imperdoável o comportamento de quem assim procede, condenando-o imediatamente à morte. Com tal consciência do erro é que o profeta pôde concluir a história: “Então disse Natã a Davi: Esse homem és tu!” (2 Sm 12.7).
Hoje, através de filmes, peças teatrais e livros de literatura histórias nos são contadas. De produções tecno-cientificas-fictícias, à comédias-beisterol-americano (ou brasileiro), passando por produções sobre dramas pessoais e reconstruções históricas somos apresentados a outras 'personas'.
Personagens estes que nos incomodam, nos atraem, nos repelem, nos alegram, muita vezes chegam a nos consolar, nos abraçar ou nos assustar. A cada ato, a cada cena, a cada página somos levados para dentro de um outro mundo, na verdade de outros mundos, pois a atuação de cada ator, o desenrolar de cada roteiro, e a visão de cada escritor, nos proporcionam vivências inalcançáveis de outra maneira.
Foi isso que me ocorreu ao assistir O Jogo da Imitação. O filme conta a história de Alan Turing. Matemático, responsável pela decodificação da Enigma – máquina de comunicação cifrada utilizada pela Alemanha Nazista no auge da 2ª Guerra Mundial – cuja história ficou escondida por mais de 50 anos, tanto por razões militares, quanto por, razões pessoais.
Fiquei indignada com o tratamento despendido a uma figura tão importante no desenrolar da história mundial, indignada com o modo como a rainha da Inglaterra tratou o assunto, enraivecida contra a posição tomadas pelos amigos e colegas de trabalho. Me perguntando: Como eles puderam fazer isso????
Mas em meio a todo turbilhão de raiva, indignação e vergonha, pude vê o dedo de Natã apontado para mim: - Esse homem é você!
“Portanto és inescusável quando julgas o homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo, naquilo em que julgas a outro. Pois tu que julgas fazes o mesmo” (Rm 2.1). A parábola funcionou!
Deus ainda fala, e fala como quer. Ele sempre encontra uma forma de vir ao nosso encontro e interceptar nossa caminhada rumo ao precipício. Nem que pra isso precise sutilmente nos levar até um cinema, nos contar uma história aparentemente distante de nós, e quando nos envolvemos a ponto de nos indignarmos com os personagens, mostrar que nem sempre estamos agindo como os mocinhos, talvez, na realidade, estejamos agindo exatamente como os bandidos e ele deseja mudar o final da nossa história.




quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um grande Concerto






Por: Denise Alves



Esse mês fui a um concerto da Orquestra Sinfônica de Sergipe, gosto de música instrumental. Geralmente a ORSSE convida algum maestro e/ou solista para suas apresentações, desta feita tive o prazer de ouvir o maestro chileno Vitor Hugo Toro.

De todos presentes ele, com certeza, era a pessoa que mais estava curtindo a apresentação. A sua forma de conduzir a orquestra demonstrava imenso prazer no trabalho executado, mas o que mais me chamou atenção foi a atitude dos músicos.

Todas as vezes que assisto aos concertos de música clássica, uma pergunta sempre me vêm a mente: esse maestro faz alguma diferença? Porque os músicos ainda precisam dele se existe uma partitura a ser seguida? Ainda não me convenci do sim de modo geral, mas nessa apresentação em particular, os músicos me disseram um ensurdecedor SIM: o maestro faz toda a diferença.

Cada violinista, percussionista, os que tocavam os violoncelos, oboés, o piano... TODOS não desgrudavam os olhos do maestro, porque ele, de alguma forma, estava alterando a melodia!

Isso me lembrou o Senhor. Uns o comparam a um habilidoso arquiteto do universo, que colocou todas as coisas nos seus devidos lugares. Outros preferem compará-lo com um sábio escritor - que até mesmo escreve certo por linhas tortas (não gosto dessa expressão). Na ocasião, Deus me pareceu um magnífico Maestro.

Aquele que escreveu a partitura. Aquele que a conhece como ninguém. Aquele que – mesmo sem precisar – aprouve chamar uma equipe de músicos para executá-la, na qual eu e você estamos inseridos. E o mais importante, não nos abandonou à apresentação.

A ideia do arquiteto sugere um distanciamento para apreciação da obra-prima. Quando tratam Deus como escritor, normalmente o retratam, observador dos seus personagens. Mas quando ele é um maestro, ele participa, interfere, modifica, se impõe. O que exige atenção por parte dos músicos para o mais sutil movimento de suas mãos. Atentos para o que Ele quer que seja feito.

Nas palavras do escritor do Salmos “assim os olhos da serva atentam para a mão de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para as tuas Mãos ó Deus” (Sl. 123.2)

Sim Senhor, a sinfonia é tua. Quanto a mim: Permaneço atento as instruções das Tuas mãos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Corrida maluca

 

Por: Denise Alves

O programa do Gugu tem um quadro chamado 'Corrida Maluca', onde o participante tem que cumprir uma série de tarefas para que possa acumular pontos e gere dinheiro no final da prova. Acontece que durante a realização dos desafios ele é constantemente interrompido por uma família que chega, parente por parente, e que deve ser colocada dentro de um carro de passeio.
A constante interrupção dessa família acaba atrapalhando muito o participante que tem que largar tudo o que está fazendo e correr para pegar o novo integrante da família que está passeando pelo palco.
Lembrei desse quadro essa semana porque tive uma semana maluca! Parecia que estava participando daquela prova. Estava cheia de coisas para fazer e para piorar, de tempos em tempos surgia algo 'do nada' que exigia que parasse tudo o que estava fazendo para acudir a nova situação.
Essa foi apenas uma semana dentre as demais, porém existem fases ou mesmo vidas inteiras que parecem que estão participando sempre de uma corrida maluca. São pessoas cujo acaso é quase uma constante. Quando tudo parece que está entrando nos eixos, o filho fica doente, perde o emprego de novo, a geladeira para de funcionar. E lá vai ela tirar o dinheiro guardado das férias para comprar remédios ou pagar um conserto que não estava dentro do orçamento.
Pode acontecer de muita dessas situações serem claramente ataques do inimigo para tirar a nossa paz – porque problemas financeiros, e não traição, é a principal causa de divórcios – e atrapalhar nossos planos, e nesse caso as armas de combate são espirituais. Mas também pode ser que essas interferências não tenham nada de sobrenatural, porque na verdade elas decorrem de exclusiva falta de planejamento.
Não se consegue finalizar as tarefas porque ficamos distraídos com o que vai surgindo pela frente. Quem arruma casa sabe o que é isso: acorde sem um planejamento do que fazer nas próximas horas e vai terminar o dia com a casa suja! É a clássica existência do 'deixa a vida me levar'... isso definitivamente não funciona.
Para não ter a constante sensação de viver para apagar incêndios, é preciso fazer um plano muito claro do que é realmente importante e deve ter nossa maior atenção e do que é secundário como tal deve ser tratado. E o mais importante: deve-se seguir esse planejamento. E o que é que isso tem haver com Deus? Tudo. Afinal ele permeia toda a nossa existência e não apenas nosso devocional ou cultos no templo.
A Bíblia nos diz que devemos honrar a Deus em todo o tempo e tem todas as coisas que fazemos (1 Co 10.31) e o mais importante: Ele nos ajuda todo o tempo. Uma das funções do Espírito Santo é nos capacitar para toda boa obra, que não se restringe as atividades eclesiásticas, afinal de contas sem Ele nada podemos fazer(Jo 15.5b). Preste atenção no 'nada'.
Então qual é o segredo? Como todo projeto bem sucedido, deve-se gastar mais tempo planejando do que executando. Separe um tempo antes de começar o dia para ficar com Deus e verificar com ele tanto os assuntos exclusivamente espirituais quanto os de conteúdo secular. Planeje. Esquematize nem que seja apenas nos pensamentos o que fazer, como fazer, por onde começar e onde terminar.
Você verá que as tarefas vão fluir mais rápido e você estará menos desprevenido, pois esse mesmo Espírito, nos avisa de coisas que estão por vir (Jo 16.13b) para que fiquemos antecipadamente preparados e não estejamos correndo de um lado para outro feito malucos.





quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Notório



Estive estudando direito constitucional esse período e descobri que para o preenchimento de alguns cargos públicos se faz necessário um requisito: um notável saber jurídico (Ministros do STF, CNJ, STJ, TSE....) e em outras ocasiões, um notório saber jurídico (Ministros do Tribunal de Contas da União, O quinto constitucional nos tribunais...). E não é a mesma coisa? O pior é que não.
Em direito, notório e notável comportam uma diferença fundamental: a necessidade ou não de provar o conhecimento. O notável saber pressupõe exame, avaliação, demonstração específica do conhecimento, tanto é que os ministros do STF, STJ, as mais altas cortes de justiça do país, são 'sabatinados' pelo Senado Federal – pelo menos era assim que deveria ser, mas como o direito é a arte do faz-de-conta!.... - para provar se detêm considerável saber jurídico, é a chamada 'arguição' prevista no Art. 52, III, da Constituição Federal.
Enquanto que, quando a Constituição fala de 'notório saber jurídico', ela dispensa o exame específico desse saber, visto que ele já está claro, evidente para todos, não precisa mais ser provado, porque 'todo mundo sabe' .
Interessante que a Bíblia diz em Filipenses 4.5 diz: “Seja a vossa equidade notória a todos os homens”. Note o termo usado: Notório. Sinônimo de: “certo, claro, evidente, manifesto, patente, perceptível e visível” que dispensa arguição. Em outra tradução: “Que todo mundo veja” (Bíblia Viva). É assim que Deus deseja que seus filhos andem. Com a justiça evidenciada. Isso pode ser comprovado através de outras passagens bíblicas:
“Para Deus somos o bom perfume de Cristo” (2 Coríntios 2.15), que por onde passa deixa uma fragrância agradável. “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.16), pois “Não se acende uma candeia para colocá-la sob o alqueire; mas se a coloca sobre um candeeiro, a fim de que ela clareie todos que estão na casa” (Mateus 5.15)
Ou seja, o que a Bíblia requer é que seus filhos sejam de tal forma impregnados pela Verdade que as pessoas percebam se tratar de uma pessoa diferente, sem que seja preciso uma hora de conversar, tentando extrair o que há de melhor, não! Simplesmente percebe-se.
Mas como todo saber, esse também não surge da noite para o dia, requer dedicação, estudo, esforço, por isso “ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos” (1Timóteo 4.15)
“Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa” (1 Timóteo 4:8). Se pessoas se esforçam para compor a alta corte de justiça do país, e julgar as ações de maior repercussão nacional, que diremos nós “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo?” (1 Coríntios 6.2). Acredito que vale a pena ter um notório conhecimento dos céus!
Denise Alves - 23/11/2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

DOMINE SOBRE....

Denise Alves
16-09-2011


O livro de Gênesis é para nós uma espécie de Projeto Original de Construção. Com a definição da planta, estabelecimento dos componentes principais, seus locais de funcionamento, modo de utilização e pessoal responsável pelas tarefas. Os seja, o entendimento de quem somos e para que estamos aqui, recai sempre na análise do Gênesis – o início de todas as coisas. Pelo menos todas as coisas pela ótica de Deus.
Porque em matéria de memória humana, talvez nossas raízes recaiam em um tempo mais próximo, tipo, a data em que alguém gritou para outro: “Isso é meu!”, ou seja, o início da propriedade privada. Início da dominação humana sobre os animais, sobre a plantação, sobre o céu e sobre o mar. Como previu o próprio Deus em Gn 1.26: “Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e segundo a nossa semelhança para que domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra.”
Interessante notar que o plano original de Deus não comportava dominação de homem sobre homem. Muito pelo contrário, trazendo de volta o 'sentido completo' do que Deus-Pai tinha em mente quando da criação do humanidade, o próprio Jesus afirma que: “Qualquer entre vós que quiser ser grande, seja esse quem vos sirva” Mt. 20.26.
Como se percebe a relação homem-natureza é uma relação de dominação, subordinação, enquanto que a relação homem-homem, preza-se pela igualdade, equilíbrio e respeito a dignidade do outro por esse outro também filho de Deus.
Ocorre que não é isso que vemos na história da humanidade. Todos os lugares da terra estão contaminados pela mentalidade opressora, exemplos históricos não nos faltam, genocídio, racismo, extermínio das minorias, domínio do homem sobre o homem, em guerras, no mercado financeiro, na política, na igreja.
Sobre a inserção dessa mentalidade no seio da igreja já nos alertava o apóstolo Pedro falando dos falsos profetas em 2 Pe 2.1-3: “Haverá falsos profetas... que movidos por ganância, farão de vós negócio”, em outras traduções 'comércio'. É a expressão clara da coisificação do ser humano, manipulado em favor de outro.
Situação de dominação tão indesejada por Deus que quando da queda da grande Babilônia relatada no livro do Apocalipse, um dos motivos apontados é o comércio de todo tipo de coisa, inclusive 'Almas Humanas' (Ap 18.11-13).
Como a restauração começa dentro da própria casa, e nós seremos os primeiros a sermos julgados, é aqui - onde o Reino de Deus está, 'Entre nós' - que essa mentalidade de dominação homem-homem deve ser extirpada, sendo urgentemente substituída pela cultura do serviço ensinada por Jesus e que retrata o plano original.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Anda Comigo

Por Denise Alves

É preciso conhecer bem o instrumento de trabalho, no caso dos advogados, o Vade Mecum, no caso do filhos de Deus, a Bíblia. As semelhanças são gritantes!
Ambas tem por características andar bem junto do seu possuidor: Vade Mecum significa: Anda Comigo. A Bíblia, recomenda: Não te aparte do livro desta Lei.
Tanto um quanto o outro são coletâneas de vários outros textos que sozinhos poderiam ser livros autônomos, mas que precisam dos demais livros para obter um sentido completo do seu conteúdo. Exemplo: O código Civil, precisa da Constituição e de outras legislações extravagantes para melhor compreensão do assunto. Na Bíblia, o velho testamento é fundamental para compreensão do Novo.
Seus livros estão divididos de uma forma estranha: O Vade Mecum, em Artigos, incisos, parágrafos e alíneas. A Bíblia em capítulos e versículos.
Outro ponto em comum é que eles precisam de ajuda para serem lidos. Apesar de escritos em língua oficial – português – existem termos que requerem conhecimentos técnicos para sua melhor compreensão. Não é qualquer um que entende o que seja um Mandado de Injução ou uma cerimônia de circuncisão, não é mesmo!!!
Além disso, o Vade Mecum e a Bíblia não são livros para serem lidos de uma vez só, 'de capa a capa' como dizem. São antes, livros de eterna consulta.
Acredito que um recurso fundamental para os que desejam iniciar a leitura desses livros seja possuir um norte, uma espécie de mapa de, 'por onde começar', já que trata-se de livros enormes e o começo da leitura de forma errada pode comprometer toda disposição para seu término. Então quero lhes sugerir uma possibilidade de plano de leitura da Bíblia.
Começe por Lucas – é o terceiro evangelho e conta a história de Jesus. Sugiro começar por ele por ser um dos evangelhos mais completos e bem organizados cronologicamente, talvez por ter sido o último a ser escrito, tendo como base os textos de Marcos e Mateus. O início da leitura por um dos Evangelhos é fundamental, pois toda a Bíblia tem como foco a presença de Deus na terra, o nascimento de Jesus, o filho de Deus.
Leve o tempo que precisar, mas não se atenha muito aos detalhes nessa primeira leitura, o objetivo aqui é que você tenha um conhecimento amplo da história e de seus personagens.
Teminada a leitura de Lucas, siga para o livro de Atos os Apóstolos, ele fica dois livros a frente do que você acabou de ler. Pode pular o evangelho de João por enquanto, depois você volta a ele.
O livro de Atos é a continuação literal do Evangelho de Lucas, conta o que aconteceu com os discípulos e a história da criação da Igreja com seus principais fundadores e o modo como Deus age na Terra hoje. Pode começar a ler.
Nesse livro você vai encontrar novos personagens, pessoas que são inseridas na narrativa e que são os autores dos livros subsequentes, as Cartas – Epístolas, das quais podemos citar: Romanos, Coríntios, Efésios, Tessalonicenses....
Como você deve ter percebido existem pedaços faltando no Livro de Atos, como: o que foi que Paulo escreveu para as igrejas na sua ausência? Informações que são completadas nos livros posteriores. Quanto a esses não há bem uma regra a ser seguida, mas pelo tema tratado em cada livro sugiro o seguinte: Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, nessa ordem. Há mais a ser lido, mas por enquanto basta. Após a leitura deles vamos dar um salto. Pule para o Apocalipse.
Não tenha medo. Apesar de relacionarmos o nome Apocalipse com o fim do mundo, não é bem isso que ele significa, seu literal significado é Livro das Revelações. Revelações sobre as últimas coisas. Sobre o que acontecerá no Fim dos Tempos. E esse é um assunto que você precisa saber.
Trata-se de um livro a primeira vista indigesto. Mas o objetivo agora não é conhecer o significado de cada símbolo utilizado pelo escritor. Basta algumas instruções.
Primeiro: nem tudo é literal. Há muito simbolismo, porque as visões de João é a visão de um homem vendo o que Deus – que conhece o fim antes mesmo do início de todas as coisas – está vendo acontecer na terra em um ano indeterminado a nós e muito distante da época em que o livro foi escrito. Devido a essa distância temporal entre a data da escritura do livro e a sua realização na Terra, é que surgem dificuldades para João descrever, um avião, por exemplo. Como será que parece para um homem do Século I, falar sobre um objeto grande pra caramba, pesado que só, e que mesmo assim voa!!!! É um pássaro voador não é? E um celular??? inimaginável para quem tinha que caminhar dias de uma cidade a outra e perguntar de pessoa a pessoa se ele por acaso tinha visto Sicrano.
Por isso é que o livro de Apocalipse é tão misterioso, porque trata de assuntos que possivelmente já começaram a se manifestar na nossa época, com o desenvolvimento da tecnologia necessária, e por isso podemos compreender, mas que podem estar longe de se concluírem, micro-chips na pele ainda não são comuns, aí nessa área só podemos especular.
Dessa forma, leia para ter uma visão geral do que há de vir, mesmo que não possamos determinar exatamente como e quando acontecerá.
Ao terminar Apocalipse, vá até o Velho Testamento – procure no índice o Livro de Daniel. Esse livro é o complemento lógico do Apocalipse, pois agora os mesmo acontecimentos relatados no Apocalipse são descritos na visão de quem está na Terra, e não mais na visão celeste.
Com a leitura de Daniel você descobrirá um povo escolhido por Deus para participar de todos os acontecimentos até agora lidos: Os judeus. Então vamos para o início da Bíblia, para o Livro de Deuteronômio. Nele você vai encontrar um resumo do que aconteceu nos dois livros anteriores: Gênesis e Êxodo e o estabelecimento da Aliança com base na Lei proposta por Deus aos homens e do porquê de Daniel está na Babilônia.
É um livro bem grande que conta muitas histórias e lhe permite compreender muitas coisas. Terminada a sua leitura vamos ao Livro de 1 e 2 Reis. Nesses livros a nação de Israel já está formada e em seu auge político-social. Acontece que muito do que foi estabelecido em Deuteronômio é quebrado pelos judeus e o castigo de Deus está se aproximando. Vamos vê o que o livro de Jeremias diz.
Junto com todas as profecias sobre o fim de Israel como nação independente surge a necessidade de Redenção, de um libertador, de um Messias, enviado por Deus para estar com os homens e quem nos fala sobre isso com maestria é o profeta Isaías, o profeta que mais falou sobre Jesus. Então vamos até o livro de Isaías.
Tudo que foi dito nas profecias de Isaías são cumpridas com o nascimento de Jesus, que ocorre no Novo testamento, no ponto onde começamos!!!, e já que você já leu Lucas, pode recomeçar por Mateus, verificando que tudo ocorreu conforme foi dito pelo profeta, passando pelas demais, cartas, livros históricos e proféticos e sempre voltando ao Apocalipse, porque é lá que tudo vai terminar.
Espero que esse guia lhe auxilie na compreensão geral do Plano de Deus que ficou escondido desde a fundação do mundo e que nos últimos dias foi-nos revelado através de escritos feitos pelos seus servos e posteriormente agrupados em um único volume chamado por nós de Bíblia. Esse plano tem um único objetivo: Salvar o homem do inferno através de Jesus, nosso único salvador.
É uma longa viagem. Mas vale a pena começar. Então mãos a obra.
Ah! e aqui cabe uma diferenciação entre o Vade Mecum e a Bíblia, enquanto que as lei contidas no Vade Mecum mudam o tempo todo, o conteúdo Bíblico jamais muda. Você pode obter um exemplar e lê-lo pelos próximos 2000 anos, que estará sempre atualizado das novidades do céu!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

NÃO SEI QUEM É JOSÉ....

 


“E se levantou um outro Faraó, que não conhecia José” (At. 7.18)
Denise Alves
30/09/2011


José é um dos personagens bíblicos atualmente mais conhecidos por cristãos e não-cristãos. Entretanto em At 7.18, é-nos informado que o novo Faraó não fazia ideia de quem era José.
Não sabia que José foi aquele que tinha interpretado o sonho do Rei quando ninguém mais o pôde fazer (Gn. 41.39); foi ele quem administrou todo o Egito em um período de seca extrema e impediu que a nação sofresse (Gn 41.56-57). Por causa de sua eficiência comprou toda a terra do Egito para propriedade particular de Faraó (Gn 47.20). Esse novo Faraó não sabia que José era um homem de um caráter exemplar, pois depois de toda dor que sofreu por causa dos seus irmãos, os perdoou e os alimentou no Egito (Gn 47.12 e Gn 50.21), e por causa da atitude humilde de José as 75 almas que ali entraram (At 7.14), puderam se tornaram uma grande multidão, formando o grande povo de Israel e suas 12 tribos, prontas para conquistar a terra de Canaã.
O novo Faraó não sabia nada disso.
E essa não é uma história isolada. As nossas obras, nossos feitos sobre a terra, passam indubitavelmente pelo teste do tempo. O profeta Isaías nos compara com a erva( Is 40.6-7), nossa permanência na cronologia histórica é muito efêmera, logo 'secamos', morremos e com isso nossa glória, 'flor' é esquecida. Salomão trata desse assunto em Eclesiastes 1.11 – “Já não há lembranças das gerações passadas, nem das gerações futuras haverá lembrança entre os que virão depois delas”.
A memoria humana falha, deixa passar grandes e pequenos acontecimentos, não sabemos mais o nome do nosso melhor amigo do pré-primário, nos esquecemos da fisionomia do primeiro namorado, nem sabemos mais quem foi o primeiro chefe....
Mas em meio a todo esse esquecimento há um que jamais nos esquece. O Senhor Jesus: Mas Sião diz: 'O Senhor me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim. Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei' (Is. 49-14-16)
Esse é o Deus que não esquece de você. Esse é o Deus que quando alguém menciona o seu nome ele sabe exatamente de quem se está falando, não te confunde com ninguém, não pergunta 'quem é você mesmo?'. Pode ser que sua vizinhança não saiba quem você é. Deus sabe. Pode ser que no seu emprego as pessoas não lembrem de você. Deus lembra. Mesmo que na sua família não prestem a devida atenção a você. Deus presta. Porque ele não pode esquecer de você. E ele não pode fazer isso porque Ele está com você SEMPRE. “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20)
José percebeu isso quando estava na casa de Faraó. “Mas o Senhor era com José, e ele se tornou próspero” (Gn 39.2). Daniel percebeu isso na cova dos Leões e junto com os três amigos na fornalha de fogo. Davi desfrutou do cuidado de Deus ao fugir de Saul. Jesus o sentiu perto no Getsêmani. Todos haviam se esquecido deles. Menos Deus.
Então não esqueça: Deus sabe quem _________ é.