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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO



por Denise Alves
25/01/2018


Os israelitas tinham uma ideia de como seria o Messias, o enviado de Deus, ele se pareceria com Moisés, como diz às Escrituras, “um semelhante a mim, a ele ouvi” (Dt 18.15). E como Moisés, o Messias seria o libertador do povo, aquele que desfaz as ordens sociais estabelecidas, no caso o império romano, e implanta um reino que favoreça àqueles que o servem. Uma pergunta persistente no imaginário dos discípulos de Jesus era: “Quando o Senhor nos livrará de Roma?”
Não aconteceu. Jesus morreu. Roma só seria destruída 400 anos depois da sua morte. E os servos de Deus continuam em pleno século XXI sendo perseguidos nos sete continentes. Por que? Há várias teorias, mas hoje quero destacar uma: Por que meu reino não é deste mundo (Jo 18.36).
Essa é uma verdade facilmente esquecida por nós cristãos ocidentais cujo protestantismo contribuiu historicamente para ascensão do capitalismo. E acabamos confundindo as duas coisas. Há uma confusão geral no meio do povo de Deus quanto ao que Deus deveria fazer em favor do seu povo muito vinculada aos conceitos publicitários de prosperidade e sucesso.
Somos induzidos a acreditar, dentro e fora das igrejas, que ser filho de Deus é: ter sucesso financeiro, ser cabeça e não cauda, ser livre do laço do passarinheiro e ai das pragas que não nos alcançarão. Todos esses de fato são textos presentes na bíblia mas cuja distorcida interpretação satisfaz o desejo do interlocutor, pois em nenhuma delas, Deus diz que isso acontecerá na Terra.
Jesus deixa muito claro que o seu reino não é deste mundo, se fosse, ele não teria sido crucificado. O local no qual os textos de prosperidade acima citados são a regra é o mesmo local onde as pessoas adoram o Rei, não o matam! O local onde teremos paz e descanso, é o mesmo local onde não haverá mais lágrima... e eu não sei você, mas ele lugar não se parece com a Terra no momento.
O próprio Jesus nos alerta: Se fizeram isso comigo, o que não farão com vocês? (Mt 10.24-25). Por isso não entendo de onde vem tanta frustração direcionada a Deus quando da não satisfação dos pequenos desejos cotidianos, como se ele estivesse quebrando uma promessa, feito-nos acreditar numa propaganda enganosa.... Se enganosa foi a propaganda garanto a você, foi a propaganda da igreja, não a de Deus, pois este nos adverte: Neste mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo (Jo 16.33). Mundo este que não é Seu reino.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Terceirizando as Bênçãos


01/04/2015



Presta atenção na conversa:

- Como é mesmo o nome daquela igreja da cura?

- Igreja da cura?

- Sim.... Aquela onde você vai doente, oram por você e você sai curado....

Entendi o que meu interlocutor estava querendo dizer e indiquei o caminho, mas a minha vontade era responder: Qualquer uma! Porém estou pensando nessa pergunta-resposta até o momento e como normalmente escrever me leva a pensar melhor.... eis-me aqui.

Apesar de querer acreditar que a oração por cura seja uma prerrogativa de qualquer igreja tenho percebido uma compartimentalização das bênçãos. Se você precisa de dinheiro... surge o nome da Igreja X, se saúde, então você deve procurar a igreja Y, problemas familiares se resolve na Igreja Z e por aí vai. Como se Deus tivesse terceirizado os serviços, seguindo a lógica capitalista-minimalista. Cada braço da franquia do céu com ênfase em uma necessidade humana.

O problema? Deus é UM. Separar a sua atuação é torná-lo apenas mais um utilitário na satisfação das necessidades humanas, desfragmentando a sua real mensagem. Nosso Deus não é o Deus da Cura, apesar de também curar. Ele não é o Deus da Prosperidade, apesar de também prosperar. Ele não é apenas o Deus da Paz, apesar de também acalmar. Conceder ênfase exagerada a qualquer desses aspectos é deturpar a sua verdadeira especialidade: Salvar.

Isso significa que as igrejas-templos que pregam apenas a salvação são as mais alinhadas com o propósito de Deus? Note a armadilha: Apenas. Não. Nosso Deus não é um Deus de apenas o que quer que seja. Ele não se contenta em tocar apenas uma área da sua vida porque a salvação não é apenas espiritual, ela é integral, atinge todo o complexo humano – sendo espírito, possuindo uma alma, habitando em um corpo.

Por essa razão Ele não deseja apenas salvar a sua alma, mas também restaurar as finanças, a vida familiar e comunitária e o corpo físico-emocional, não importa em qual igreja você esteja, uma vez que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu ali estarei” (Mateus 18.20), abençoando cada área do seu viver.