domingo, 30 de setembro de 2018

Excluídos



Por Denise Alves
28/09/2018


O capitalismo é por essência um sistema binário: Tem/Não Tem; Acessível/ Não Acessível. Critérios aplicados majoritariamente às relações de consumo, onde as pessoas são julgadas pela sua capacidade obter bens culturalmente identificados como desejáveis.
Mas a exclusão não é novidade na história e os bens desejáveis são apenas atualizados para o contexto social no qual se vive. Se na idade da pedra uma caverna era um luxo, na contemporaneidade, um apartamento na praia o é. De modo que sempre existiram aqueles que privados de tais bens culturais foram, não apenas excluídos, mas julgados por sua não adequação ao sistema.
Veja como Izabel, a futura mãe de João Batista se sentiu: “Agora que o Senhor me ajudou, ninguém mais vai me desprezar por eu não ter filhos” (Lc 1.25). Ninguém vai me desprezar por eu não ter.... No caso dela, ela se sentia excluída por não ter filhos. No caso de outra pessoa pode ser um emprego, uma casa, um diploma, milhares de likes na página...
Certo é que a igualdade apresenta-se como um ideal a ser perseguido e um pesadelo se alcançado. Sempre damos um jeito de nos diferenciar, inclusive dentro das igrejas. Os pastores/homens/líderes/loiro/etc têm acesso a sentarem nesse lugar. Você simplesmente acomode-se como puder. Isso não lembra o texto de Tiago? “Vamos supor que entre no lugar onde vocês se reúnem um homem com anéis e com roupas finas e outro pobre e vestindo roupas velhas e sujas e vocês derem atenção especial ao homem rico […] nesse caso vocês estão discriminando pessoas, baseando-se em motivos errados ao julgar aos outros. (Tg 2. 2-4)
Isso significa que devemos ignorar as diferenças? Claro que não. Porque Paulo também nos alerta para elas, que cada um tem um lugar específico no Corpo: “Que coisa esquisita seria um corpo que tivesse somente um único membro! Assim foi que Ele fez muitos membros em um só corpo” (I Co 12.19-20)
Desse modo não parece que o problema esteja nas particularidades de cada um, pois são elas que nos fazem únicos, singulares, mas no contrário, quando não as valorizando, as utilizamos para estabelecer um sistema de classificação fundamentalmente excludente, estratificado e competitivo – quando os próprios critérios utilizados não são sequer questionados!
Pela dor de Izabel, do homem pobre e do dedo mindinho não deveria ser a Igreja de Cristo um lugar onde todos são igualmente reconhecidos como Filhos de Deus? Não deveríamos ser nós a demonstrar um outro modo de ser sociedade? A ideia não era que nós enquanto reino de Deus mostrássemos ao reino das trevas formas de incluir sem homogenizar?
Apenas um pouco de questionamentos...

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Cansaço da Decisão



28/08/18
Denise Alves

Às vezes não bate um cansaço? Na verdade já ouvi dizer que se um dia um marciano chegasse na Terra ele identificaria que tudo que precisamos no momento é dormir. Estamos todos tão cansados.
E uma das causas da nossa falta de energia é a enorme quantidade de decisões que temos que tomar ao longo do dia. Das pequenas decisões: qual roupa vou usar hoje, o que comer no café da manhã, curtir ou comentar aquele status? – às grandes: qual curso escolher na faculdade, com quem me casar, devo mudar de cidade?
Tudo isso requer do cérebro um esforço enorme para analisar as variáveis e fazer a melhor escolha. Então pensei: não seria bom se tivesse alguém que controlasse minha vida e decidisse várias coisas por mim? Que soubesse exatamente do que gosto e quando me acordasse, sem me fazer qualquer pergunta, já tivesse preparado o café da manhã perfeito? Ou que sabendo exatamente minhas preferências indicasse com alto nível de precisão o curso que mais se adapta ao meu perfil? Isso me pouparia muito tempo e energia. Me faria descansar.
Então me lembrei que essa Pessoa existe e que Ele deseja cuidar de mim: “Vinde a mim todos vós que estás cansados e eu vos aliviarei” (MT 11.28). Quem me conhece melhor do que meu Deus?! Que antes mesmo de meu nascimento já tinha toda a história da minha vida escrita no seu livro? Que me viu ser formado no ventre da minha mãe (SL 139.16 e 13)? E que acima de tudo afirma possuir planos de paz e não de mal para um futuro de esperança (JR 29.11)?
Eu não preciso depender apenas de mim mesma para tomar decisões na vida pois em todos os aspectos, em todas as áreas, Ele, melhor do que ninguém sabe o que é perfeito para mim. Isso não implica dizer que tudo acontecerá num passe de mágica – a mesa do café não vai se montar sozinha infelizmente – mas se decido descansar Nele, tenho energia suficiente para tomar um ótimo café da manhã com Ele e decidirmos juntos como será o restante do dia.



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Um reino desterritorializado



Por Denise Alves
28/07/2018

Quero hoje começar a partir da citação do texto anterior – Um ponto de Vista – a fala de Paulo aos Colossenses: “pois Ele nos tirou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1:13). Pois me surge uma inquietação: Como posso saber se estou no Reino de Deus?
Lembre-se que o que proponho é uma reflexão, uma sugestão de interpretação baseada nas minhas experiências, na minha caminhada, no meu relacionamento com Deus e no modo como compreendo o Reino.
Como falei na última postagem, parto do princípio que o pano de fundo da nossa existência está marcado pelo conflito entre o Reino das Trevas e o Reino da Luz, reino esse que não se define pela localização espaço-territorial como é o Reino de Gales ou o Reino do Gongo.
Esse Reino como Jesus bem esclareceu, está dentro de nós: “Um dia os fariseus perguntaram a Jesus: “Quando é que vai começar o Reino de Deus? Jesus respondeu: ‘O Reino de Deus não vem acompanhado por sinais visíveis. Não se poderá dizer: ‘Começou aqui neste lugar, ou ali naquela parte do país’, pois o Reino de Deus está dentro de vocês.” (Lc 17.20-21).
Isso significa que estamos tratando de um reino desterritorializado mas passível de ser identificado a partir de outros critérios. Quais critérios? O que caracteriza o Reino de Deus? Paulo nos dá uma dica: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). A tradução desse verso na Bíblia Viva nos fornece um esclarecimento adicional: “Afinal de contas, a coisa importante para nós, como cristãos, não é o que comemos ou bebemos, mas sim incentivar o aparecimento da retidão, da paz, e da alegria que vêm do Espírito Santo”.
Mais uma vez esses textos nos mostram que o centro do Reino de Deus, aquilo que o identifica, que o distingue dos demais reinos, ‘a coisa mais importante’ é que seus cidadãos são pessoas justas, honestas, que promovem a paz, alegres... Isso te lembra alguma coisa? Isso mesmo, os frutos do Espírito: “Mas quando o Espírito Santo controlar as nossas vidas, Ele produzirá em nós esta espécie de fruto: amor, alegria, paz, paciência, bondade, retidão, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22-23).
Então, por enquanto, podemos deduzir que o Reino de Deus é composto por aqueles que, quer estejam no Marrocos, Brasil, Austrália, Suíça, Antártida, em toda tribos, língua, povo e nação, produzem os frutos do Espírito Santo.
Por esse critério, estamos no Reino de Deus?
Continua....



quinta-feira, 28 de junho de 2018

Um ponto de vista...



Por Denise Alves
28/06/2018

A lógica utilizada para o desenvolvimento do raciocínio é de fundamental importância para determinar os resultados alcançados pelo mesmo. É o que podemos chamar de Ponto de Vista. O local a partir do qual se olha. A visão obtida a partir de um determinado ponto. Implica dizer que mudando o ponto de vista, altera-se completamente a conclusão/percepção do objeto/fenômeno observado.
E o que isso tem haver com a Bíblia? Tudo. O que bem nos resume Salomão no seu livro sobre a Sabedoria. Provérbios nos fala sobre a interpretação da vida a partir de um determinado ponto de vista: O temor do Senhor (Provérbios 9.10)
O que isso significa? Quer dizer que dependendo do modo como você se relaciona com essa informação – O temor do Senhor – define todas as demais respostas/posicionamentos na sua vida. É a proposição lógica do SE-ENTÃO.
Se Deus existe.... Então....
Se temo à Deus... Então....
E deve, ou deveria, haver coerência lógica entre os conectivos sob pena agirmos de modo incoerente causando confusão inclusive naqueles que nos observam. Nossas atitudes são o correspondente visível do Deus invisível (Cl 1.15), a continuação da obra que Jesus começou a fazer (Jo 5.36). Uma vez que o mundo tem acesso a Deus a partir de nós, a Sua Igreja, seu embaixadores (2 Co 5.20), temos uma importante responsabilidade em sermos logicamente coerentes entre o que cremos e o que fazemos.
O pano de fundo do conflito está entre o Reino das Trevas e o Reino da Luz. O modo de agir das Trevas e o modo de agir da Luz. A lógica inerente às Trevas e a lógica própria da Luz. “Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós” (Mt 20:25,26).
Afinal, se Ele “nos tirou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1:13), então devemos ter atitudes correspondentes ao novo reino do qual fazemos parte. Dizer que teme a Deus, Senhor da Luz e agir usando as regras das trevas demonstra apenas que ainda estamos nos utilizando de um ponto de vista das trevas, lembra do início do texto? um ponto/local a partir do qual se olha. Pois a Bíblia nos declara:  SE sois luz no Senhor ENTÃO andai como filhos da luz. (Ef. 5:8). Analise a si mesmo: Com qual reino você está sendo coerente?


quarta-feira, 16 de maio de 2018

A VONTADE DE DEUS?



Por Denise Alves
16/05/18

“Vocês serão expulsos das sinagogas e chegará o tempo em que qualquer que os matar pensará que está fazendo a vontade de Deus”. João 16.2

  • ·         Jesus foi condenado por não fazer a vontade de Deus.  
  • ·         Os cristãos foram perseguidos e mortos por Judeus que pensavam estar fazendo a vontade de Deus.
  • ·         As mulheres na idade média foram mortas sob a alegação de bruxaria, e matá-las era fazer a vontade de Deus.
  • ·         No início do século passado, negros foram escravizados sob a conivência religiosa de que esta era a vontade de Deus, já que nem alma eles tinham.


O que me leva a pensar: O que fazemos hoje pautados na suposta vontade de Deus? O que afirmamos hoje, com toda convicção, ser a vontade de Deus? Pelo que lutamos, matamos, morremos, brigamos, separamos, dividimos baseados na vontade de Deus?
Se a história não consegue nos ensinar qual deve ser o caminho a seguir, ao menos ela nos mostra que podemos estar convictamente seguindo o caminho errado.
A igreja[1] em especial tem problemas seríssimos em admitir o erro, pedir desculpas, se retratar e pior ainda, relativizar suas tão fortes convicções. Demorou séculos para que admitisse o erro de condenar, durante a inquisição, Galileu Galilei por afirmar que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário – o que hoje não contestamos – e nunca se retratou por condenar Giordano Bruno à fogueira pelo mesmo motivo.
Tais erros foram cometidos, como o próprio Jesus afirma, por falta de conhecimento do próprio Deus. “Eles vão fazer essas coisas por que não conhecem nem o Pai nem a mim” JO 16.3. Conhecer a Deus é o único caminho para descobrir qual seja a Sua vontade, institucional e pessoalmente, afinal de contas o Reino é Dele.
Erros serão cometidos, fomos previamente avisados: “mas eu digo isso para que quando essas coisas acontecerem...” JO 16.4, assim sendo cabe a nós, no mínimo, caminharmos hoje com mais humildade ao reconhecer que talvez, e muito provavelmente, essa de fato não seja a vontade de Deus.
Consideremos humildemente a nossa humanidade; nossa inclinação ao erro; nosso discernimento equivocado e aprendendo com a história: julguemos menos.

Soli Deo Gloria



[1] Tendo em vista que até então a Reforma era um movimento novo na Europa, a Igreja Católica representa a totalidade dos cristãos nesse período.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

O fim é Agora


Por Denise Alves
12/04/18


Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. (JO 11.24-25)


Imagine que aquilo que você almeja está no final de uma longa estrada na qual você está caminhando, a imagem que surge na minha mente é quase a lenda do pote de ouro no final do arco-íris. Imaginou?
É mais ou menos assim que Marta pensava quando falou com Jesus: Sei que quando chegarmos ao último dia ressuscitaremos. Ao que Jesus responde: Marta, eu sou o último dia, eu sou o final. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.
Faça uma pausa, leia de novo e refaça a imagem mental. Imagine novamente a estrada, mas agora imagine o final dela se curvando, se enrolando até alcançar você. Isso é a chegada do Reino de Deus.
O Reino de Deus não é um lugar onde chegaremos após a morte, você não precisa mais percorrer toda a estrada até chegar ao Reino de Deus. O Reino veio até você: Eu sou o pós-morte, eu sou a ressurreição, eu sou a vida eterna, e eu estou aqui e agora. Lázaro ressuscitará hoje!!!
Por isso lembre-se: Jesus não te 'dará vida' como se referindo a um tempo futuro incerto, não! Ele nos dá vida abundante hoje (JO 10.10b), por que? Porque o reino de Deus chegou e ele está dentro de nós (LC 17.20). A vida plena começa a ser desfrutada aqui e agora, de dentro para fora.
A mudança que queremos ver no mundo físico começa a operar quando permitimos que de fato “Venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade”, onde? Em Brasília? Nas favelas? Dentro das instituições públicas? Sim! Também! Mas precisa primeiro começar a fluir a partir do seu interior, repetindo.... por que? Porque você carrega este Reino dentro de você.
Entende também a importância que temos enquanto Povo de Deus na Terra? Nós somos responsáveis por tornar visível este reino para o mundo. Então seja sinal da Sua presença no mundo e ressuscite Lázaro agora.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Os pronomes de tratamento e a igualdade eclesial

Denise Alves
02/03/2018

A Suécia desde 1960 usa um único pronome de tratamento VOCÊ. Ninguém mais é identificado por senhor, excelência, doutor e correlatos tão conhecidos nossos. A justificativa: somos iguais.
Ninguém deve ser mais respeitado do que outro por causa de um título, por ser um 'Doutor' ou uma suposta 'Excelência'. Pode não parecer muito, mas mudar o modo como percebemos o Outro, ao tratá-lo simplesmente como um VOCÊ igual em dignidade a MIM, muda toda uma mentalidade baseada em inconsciente desejo de superioridade.
Isso me lembra um outro texto: “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens. Eles fazem seus filactérios bem largos e as franjas de suas vestes bem longas, e como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes e os assentos mais importantes na sinagoga! Como apreciam a consideração que se presta a eles nas praças ao serem chamados de 'mestres'!!!” (Mt. 23.5-7)
Jesus estava falando dos fariseus mas poderíamos muito bem aplicar tal texto a senadores, juízes, presidentes, pastores e bispos. Esse é o modo como funciona no sistema Mundo contestado por Jesus, o sistema que valoriza o cargo à pessoa, que diferencia, segrega e exclui. Se somos de fato seus discípulos - e também porque não temos gerência sobre outros espaços -, porque não abolir tal comportamento ao menos no nosso Sistema Igreja?
Se um país declaradamente ateu pôde fazer isso ao reconhecer à dignidade humana inerente a todo Homo Sapiens, porque é tão difícil para a igreja, reconhecer o Outro como filhos do mesmo Pai, e abolindo todo os demais pronomes de tratamento, nos chamarmos simplesmente de Irmãos?
Será que o desconforto que tal ideia provoca em nós não acaba por revelar o quanto do sistema mundo ainda está arraigado nas nossas concepções e percepções do Outro, totalmente dissociadas do Livro que dizemos ser nossa regra de fé e prática?
Pensemos!

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Considerações sobre o Salmos 105 e 106




Por Denise Alves
13/02/18

Primeira observação: estou usando a tradução na linguagem de hoje então alguns termos podem ser diferentes em outras versões.
Segunda observação: diferente da maioria das pessoas eu não curto muito o livro dos Salmos, é o conjunto de textos menos lido por mim de todo o velho testamento – um segredo: normalmente leio mais o livro de Números do que o livro dos Salmos. Fazer o que né? Tem gosto pra tudo.
Terceiro: Li os dois salmos no mesmo dia, como alguns diriam ‘de um fôlego só’ e isso me permitiu ver algumas coisas que eu talvez não percebesse se tivesse dado uma pausa entre os dois.
A primeira é que o salmista tem muita consciência da presença de Deus no mundo. Durante todo o salmo 105 ele narra os fatos ocorridos no mundo material e atribui a sua origem à Deus. São inúmeras as vezes durante todo o texto onde ele repete que “Deus fez” - normalmente eu citaria os textos, mas dessa vez sugiro que você leia na sua própria bíblia.
Essa consciência da existência e presença de Deus no cotidiano é algo que o whatsapp e as demais redes sociais tendem a mascarar. Nossos outdoors não são as melhores fontes de lembrança dessa verdade, invisível porém real. Nossa sociedade se tornou mestre em caminhar pelos dias alheia a qualquer manifestação do sobrenatural.
O salmista não. Seja pelo momento histórico ao qual vivia, seja pela cultura centrada no Theo, certo é que o salmo 105 nos lembra que ‘Deus Faz’.
Mas por que Deus faz? O salmista responde: Deus faz porque ele lembra da promessa feita à Abraão. (Sl. 105. 42). É só por isso. Não é porque mereçamos, não é porque ele é obrigado, ele faz porque ele permanece fiel à sua palavra. Ele disse que abençoaria. Ele vai abençoar. O que Ele prometeu, ele cumpre. Simples assim.
Uma aliança foi feita, e a parte que cabe à Deus está garantida, não foi esquecida. Senhor porque tu estás fazendo isso? Porque eu prometi que faria, então estou fazendo. Pois Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, lembra?
Talvez não. E é isso que nos diz o próximo Salmo. O 106. Esse salmo nos mostra como apesar da fidelidade de Deus, nós nos esquecemos. Israel esqueceu, não apenas uma ou duas, mas inúmeras vezes ele se esqueceu do amor de Deus (Sl 106.7), dos feitos de Deus (Sl. 106.13), até o ponto em que se esqueceram do próprio Deus (v.21).
Só pude visualizar o contraste esses dois salmos porque tive acesso a essas duas informações de modo sequencial. Enquanto que de um lado tenho um Deus que insiste em manter seu amor, do outro temos um povo que obstinadamente teima em esquecer do seu Deus, o substituindo por ídolos sem ao menos dar-se conta disso.
Não posso julgar Israel, não posso julgar você, só posso julgar a mim mesma. (Cada uma examine a si). Qual tem sido a minha resposta à fidelidade do amor de Deus? Qual tem sido minha reação ao seu cuidado amoroso? Tenho cumprido a minha parte na aliança? Ou me distraído com as coisas do mundo, tenho esquecido que o material está sob o controle de um Deus que faz?








quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO



por Denise Alves
25/01/2018


Os israelitas tinham uma ideia de como seria o Messias, o enviado de Deus, ele se pareceria com Moisés, como diz às Escrituras, “um semelhante a mim, a ele ouvi” (Dt 18.15). E como Moisés, o Messias seria o libertador do povo, aquele que desfaz as ordens sociais estabelecidas, no caso o império romano, e implanta um reino que favoreça àqueles que o servem. Uma pergunta persistente no imaginário dos discípulos de Jesus era: “Quando o Senhor nos livrará de Roma?”
Não aconteceu. Jesus morreu. Roma só seria destruída 400 anos depois da sua morte. E os servos de Deus continuam em pleno século XXI sendo perseguidos nos sete continentes. Por que? Há várias teorias, mas hoje quero destacar uma: Por que meu reino não é deste mundo (Jo 18.36).
Essa é uma verdade facilmente esquecida por nós cristãos ocidentais cujo protestantismo contribuiu historicamente para ascensão do capitalismo. E acabamos confundindo as duas coisas. Há uma confusão geral no meio do povo de Deus quanto ao que Deus deveria fazer em favor do seu povo muito vinculada aos conceitos publicitários de prosperidade e sucesso.
Somos induzidos a acreditar, dentro e fora das igrejas, que ser filho de Deus é: ter sucesso financeiro, ser cabeça e não cauda, ser livre do laço do passarinheiro e ai das pragas que não nos alcançarão. Todos esses de fato são textos presentes na bíblia mas cuja distorcida interpretação satisfaz o desejo do interlocutor, pois em nenhuma delas, Deus diz que isso acontecerá na Terra.
Jesus deixa muito claro que o seu reino não é deste mundo, se fosse, ele não teria sido crucificado. O local no qual os textos de prosperidade acima citados são a regra é o mesmo local onde as pessoas adoram o Rei, não o matam! O local onde teremos paz e descanso, é o mesmo local onde não haverá mais lágrima... e eu não sei você, mas ele lugar não se parece com a Terra no momento.
O próprio Jesus nos alerta: Se fizeram isso comigo, o que não farão com vocês? (Mt 10.24-25). Por isso não entendo de onde vem tanta frustração direcionada a Deus quando da não satisfação dos pequenos desejos cotidianos, como se ele estivesse quebrando uma promessa, feito-nos acreditar numa propaganda enganosa.... Se enganosa foi a propaganda garanto a você, foi a propaganda da igreja, não a de Deus, pois este nos adverte: Neste mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo eu venci o mundo (Jo 16.33). Mundo este que não é Seu reino.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

No final, o que importa?



Denise Alves
24/08/17

São tantos os estímulos, tanta as direções possíveis e muitas as escolhas que precisamos fazer durante o curto período de tempo que vivemos aqui na Terra, e sabemos que cada decisão que tomamos nos levará em um determinado caminho, anulando e desmanchando todos os outros. É como se, enquanto estamos parados houvesse uma infinidade de trajetos possíveis descortinados a nossa frente, mas no exato segundo que nos movemos na direção de um deles, ou seja, escolhemos algum, os demais desaparecem, são apagados, virou passado, está inacessível.
Por essa razão considero muito importante refletir sobre quais são as decisões que de fato importam/fazem diferença na construção de uma vida cristã alinhada com a Bíblia. Lembra desse texto: “Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo. No entanto existem vários tipos de materiais que podem ser usados para construir sobre esse alicerce. Alguns usam ouro, prata e pedras preciosas; e outros constroem com madeira, com feno e até mesmo com palha” (I Co 3.11-12)
Uma vez que estamos em Cristo, como devemos construir/viver? O que de fato vai importar no dia de prestação de contas? Quais os critérios que serão utilizados? Sei que há muitas teorias a respeito mas quero hoje destacar alguns textos para a nossa reflexão.
“Mas quando o Filho do Homem vier em sua glória com todos os seus anjos, eles de assentará no seu trono de glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele e ele separará as pessoas, como um pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes a sua esquerda. Então o Rei dirá àqueles à sua direita: Venham benditos do meu Pai, para o reino preparado para vocês desde a criação do mundo. Porque eu tive fome e vocês me deram de comer, tive sede e vocês me deram de beber, eu era um estranho e vocês me convidaram para suas casas, estive nu e vocês me vestiram, eu estive doente e vocês cuidaram de mim, estive na prisão e vocês me visitaram. Então os justos responderão: Senhor quando fomos que vimos o Senhor com fome, ou com sede, ou estranho e o socorremos, ou nu e o vestimos, e quando foi que o vimos doente ou preso? E o Rei lhes dirá: Digo a verdade a vocês, quando vocês fizeram isso ao menor destes meus irmãos, estavam fazendo a mim” (Mt 25.31-40)
E o texto continua mostrando o lamento daqueles que não foram aceitos, ao que o Senhor responde: “Digo a verdade a vocês, quando se recusaram a socorrer ao menor dos meus irmãos, vocês estavam se recusando a ajudam a mim” (v. 45).
Observe que final, no dia de acerto de contas, o Senhor não procurou saber quem prosperou na terra e se tornou milionário, nunca adoeceu, ou quantas horas de oração passou de joelhos? Ele não levou em consideração sequer quem era pastor, missionário, falava em outras línguas ou se ofertava na igreja. Apesar de todos terem por base o Senhor ele considerou 'de valor' as atitudes citadas acima, atitudes alinhadas com o amor ao próximo.
Pensamento corroborado por Tiago: De que adianta ter fé se não houver obras? “Mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2.18). Que tipo de obras? Aquela que prioriza o outro. Quando perguntado pelos discípulos qual seria o mandamento mais importante a ser cumprido, Jesus diversas vezes respondeu: O amor. Primeiro a Deus e depois pelos outros. “Nisso se cumpre toda a Lei” (Mt 22.40)
Daí surge minha inquietação: porque a Igreja, que se autodenomina representante de Deus na Terra, gasta tanto tempo ensinando coisas que no final nem sequer serão consideradas por Deus. Porque textos como esses pouco fazem parte do dia-dia litúrgico? Será que de fato estamos vivendo o evangelho do Senhor Jesus, ou como disse Paulo, já estamos pregando um “outro evangelho”(Gl 1.9)?
“No dia do juízo muitos me dirão: Senhor, Senhor, não profetizamos a seu respeito e usamos o seu nome para expulsar demônios e para fazer muitos milagres? Mas eu responderei, Vocês nunca foram meus, vão embora porque suas obras são más.” (Mt 7.22-23).
Estamos escolhendo bem o tipo de material a ser usado na construção de nossa vida com Deus? Estamos fazendo bom uso do nosso tempo na Terra ao fazer as escolhas certas ou estamos apenas perdendo tempo ao tomar a direção errada? Fica o alerta da santa ceia: Examine pois o homem a si mesmo (I Co 11.28), pois cada um dará conta de si mesmo a Deus. (Rm 14.12)
Que Deus tenha misericórdia de cada um de nós.